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Sommarlek

20 mai

Sempre lembro de procurar o número do telefone quando passo por momentos como esse: me pego admirando com ternura um casal de adolescentes e começo sentir meu rosto áspero demais, os braços cansados, as olheiras, por Cristo! eu só tenho vintecinco anos; ainda sou muito jovem para me sentir assim tão velho. Não são minhas frases – como quase tudo que digo faz referência aos diálogos dos filmes em preto e branco, dos livros sei lá de quem, das crônicas que eu li uma madrugada dessas num blog desses. Além de cansado e áspero, vazio; um emaranhado de frases de efeito e de referências alheias, um plágio ambulante do cliché. Ser espectador do afeto alheio não é problema, nem mesmo incomum. Problema é a exasperação causada pela cadeia de pensamentos evocados pelo momento – um ciclo enleável de melancolia que quase nada tem a ver com seu estopim. Antes de se deixar absorver por lembranças de quase uma década, lembro de procurar o telefone que ela me mandou por email, “Gestalt. Copacana. É simples, você deita num sofá e começa a falar sobre as coisas que não gosta de falar.”

 
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Publicado por em maio 20, 2011 em uncategorized

 

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