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Desespero.

Assíntota s.f. Matemática Reta tal que a distância de um ponto de uma curva a essa reta tende para zero quando o ponto se afasta ao infinito sobre a curva. Assíntota de uma superfície, reta que encontra a superfície em dois pontos levados ao infinito.

Percebi que minha relação com o curso de engenharia estava minguando quando tentava projetar todas as funções em nomes: gente que fazia da minha vida um circo no qual eu com pouco ou quase nada acrescentava. Não era isso que um engenheiro estaria suposto a fazer: você disse que gosta modelar os problemas, Bruno. Tem de aprender a transformar conceitos em equações e não o contrário. Mas o desespero de querer ver todas as questões numericamente assimiláveis, ver todos dentro de algo que coubesse entre x e y, era inexorável. Durou pouco – quanto mais estúpido o erro, mais cedo ele é percebido.
Não desisti de engenharia, tão pouco pretendo. Nem estou falando de números. Gosto dos números, meu problema era lidar com a incompetência de não saber lidar com gente – e continuar tentando, como um bovino dando marradas numa parede de concreto. Desisti da incompetência.
De avançar em direção ao infinito sem nunca chegar a lugar nenhum.

Focus

“Mistakes DON’T make it art.

Senso comum.

Quanto mais vivo, menos tenho noção do que isso significa.

Luc 9.23

O mais importante avanço tecnológico da humanidade foi dar utilidade ao fogo. Primeiro para ferver alimentos, tornando-nos hábeis a aproveitar integralmente os nutrientes vegetais, suplantando a falta de um sistema digestório que quebrasse a parede da célula vegetal. E isso foi só o começo da história. Ficou claro que a maior capacidade do intelecto humano era suplantar suas faltas com fontes exógenas. Mais que uma capacidade, pode-se colocar isso como uma das principais características da natureza humana. Mesmo antes do fogo, dos alimentos e de qualquer forma de tecnologia, o primeiro intelecto sensato a pisar a face da terra enquadrou-se como ser humano por ter a capacidade de fazer-se emocionar com algo exógeno à própria existência. Digo “fazer-se”, pois entende-se que houve propósito premeditado em buscar algo que pudesse desencadear uma determinada emoção. Ação focando meramente emoção. Para saber que um vegetal seria melhor aproveitado após cozido, seria necessário combinar lógica, conhecimento de campo e empirismo; por outro lado, para alcançar uma determinada emoção basta deixar-se seguir pelo instinto que subjetivamente nos guia à fonte do sentimento. Tal como usamos o fogo para controlar o que corpo não pode quebrar, usamos a causalidade para gerar a emoção que obviamente o consciente não pode gerar. Ela é fruto da alma e uma vez manifesta, age independente da vontade do consciente e geralmente sem que possamos alterar seu curso de uma forma agradável, volitiva ou previsível. Usamos a realidade para atear fogo aos nossos próprios corpos. E mesmo quando se dedica esforço para contrariar a ação que a emoção nos incita a tomar (um exemplo grosseiro: medo/fuga), ainda assim é agir em função de emoções. Acho interessante não pensar na emoção como uma parte sintética da essência do ser humano (onde a soma de emoções acidentais resultariam na totalidade do ser), mas sim como a própria manifestação consciente desta, limitada pelas características que a classificam enquanto emoção – fazendo-a conscientemente perceptível. Cogito ergo sum, considera apenas o caso da manifestação emotiva; Sou onde não penso, considera a essência; admite que existimos além das emoções. Enquanto conscientes, não apenas sentimos: somos emoções se manifestando ao longo da variável tempo. Pensar assim nos faz admitir que negar a emoção – seja ela qual for, seja sua fonte qual for – é obrigatoriamente negar a si mesmo.

hit where hurts

“Todos os dias, por amor de ti, somos entregues à morte; como ovelhas para matadouro.”

Sim, sim.
Assim, calados.
Absortos nos mais profundos pensamentos.
Inanes.
À morte da vontade, do corpo.

.on it

“Humanity i love you because you
are perpetually putting the secret of
life in your pants and forgetting
it’s there and sitting down

on it”

Paz

Não tarda, ela sempre exige que apertemos as mãos da solidão.