Cinco.

setembro 19, 2009

Eu tinha que ir na bienal. Tinha que. Desde moleque. Sempre foi ‘O’ evento. Nunca ia com as excursões de escola, era sempre tratado como programa de família. Papai, mamãe e irmão. O irmão era uma dádiva de Deus para levar um livro a mais; recíproca verdadeira. Mas hoje fui sozinho. Senti simultaneamente na pele o desespero de querer levar tudo o que meus olhos viam (remetendo ao menino nerd, desesperado por ler absolutamente qualquer coisa) e a aflição de não ter nos bolsos um tostão furado (remetendo ao papai e à mamãe, que sabe Deus como arrumavam jeito de não levar quase nada e ainda assim deixar-nos satisfeitos). Procurando sempre o stands onde o nome dos autores não eram maiores do que o nome dos livros, exercitei a arte mais útil nesses nossos tempos de crise: a de me contentar em ver. Esbarrei com todos quanto poderiam me tomar a prata dos bolsos – de Foucault a Tesla – e nenhum deles foi maior que a força de vontade. Eduquei o menino desesperado com mais rigidez e menos rédeas do que meu próprio pai o fazia. Passei por todos os stands, não sucumbi em nenhum. Há. Grandes merda ganhar – melhor parar de me enganar.
Cinco da tarde, as pernas sentem de uma vez só a peso da caminhada interminável no Riocentro. O telefone toca. ‘Pela hora, seria legal se eu estivesse no centro da cidade’, pensei antes mesmo de atender. Mas eu tinha que ir na bienal. Eu tinha que ir no raio da bienal.


Focus

agosto 29, 2009

“Mistakes DON’T make it art.


Amanhã

agosto 29, 2009

Não perca!


and the people bowed and prayed

agosto 29, 2009

Brennan Manning precisou de um terço de sua vida, ver uma guerra e um conselho dúbio para se interessar por Deus. Conheço gente que só precisou acordar num domingo, no meio da adolescência e por falta do que fazer se interessou em se posicionar diante do mesmo Deus. Outras pessoas que conheço ao menos gostam de falar sobre (Deus). Pudera, Deus é santo, perfeito, juiz e carrasco – se Ele me pega no sábado a noite, vê o que eu tenho nas mãos, as intenções que eu tenho no coração… É morte. E morte na cruz. No inferno. Deus? Mentira. Tudo coisa pra justificar o não-pode-isso-não-pode-aquilo dos pais na infância. “Por que não pode? Por que Deus castiga.” Considerando tal, justa repulsa pelo nome Deus. Teos. Zeus. Que seja. Aliás, não seja. Em mim, não.

Mas viver sem Deus é tão…

O universo que Dawkins nos apresenta como solução é tão frio, vazio, só. Basta um pouco de filosofia para perceber que no ateísmo positivista (sic) pouco se vê da maravilhosa vida cheia de liberdade que ele nos convida a viver. Ignorar Deus é tão mais simples. Que se faz? Se acredita ou não, não viramos todos pó? A morte não nos torna todos iguais? E o medo da morte guia poucos a Deus. Tenho uma vida muito curta para afirmações sobre o gênero humano, mas nunca vi tão pouco ouvi falar de alguém que tenha entrado numa igreja por medo da morte. Que tenha dobrado os joelhos por medo da morte. O sentimento guia que leva alguns ao interesse pelo divino é amor à vida. O anelo pela vida feita, toda linda, toda completa, cheia de toda a alegria e todo o amor e prazer que eu posso alcançar, tudo que as minhas mãos podem fazer. Na maioria dos casos, enquanto não se vê Deus, ainda com toda a plenitude debaixo do sol, esse anelo persiste; mesmo com tudo, ainda falta alguma coisa. Segundo Pascal, vai sempre faltar. Segundo o Cristo: só faz faltar.

Daí a necessidade de se criar um deus que seja mais 90’s ou 00’s. Rodeado de neon, com anéis nos dedos, carro importado, calça skinny e dinheiro no bolso. Que nos aliene, faça-nos esquecer se existe na vida algo sério com que se importar além de nós mesmos. Que nos acompanhe no sábado a noite e pouco se lixe para o que pensemos ou façamos, que me dê um tapa nas costas e peça mais um chope. Um deus cujo o amor por nós se encaixe no padrão enlatado que recebemos das novelas, condensado em quarenta minutos diários. Cujo o amor seja libertário, comunista e dissidente. Que não seja lá tão Deus. Que não nos corrija, que não nos importune com a verdade – verdade? existe? – , que nos deixe morrer quando bater vontade.

Justo, muito. Por um descuido, perverteram o nome de Deus nalgum lugar da nossa vida. Que o pervertamos também? É uma opção. De todas (não são poucas), a mais insensata.


Jazz

agosto 27, 2009

[...]o mérito também é seu. Afinal, se relação é interação, essa mesma relação é uma criação daqueles que participam dela. Caso contrário, a criatividade divina teria parado antes de criar a criatividade humana. Nossa criatividade não é um mero pleonasmo perante a criatividade divina. As suas dúvidas (…) são uma prova disso.”

Acho palavras no chão, quase perdidas, e fico mais feliz do que se houvesse achado um envelope cheio de dinheiro. Amo gente que nunca vi na vida; quero dar a vida pela felicidade de quem ao menos conheço. Sinto saudade da minha mãe. O blues começa a virar jazz.


agosto 13, 2009


Versões de Chan Marshall

agosto 8, 2009

cat power's cup of tea

“thunder only happens when it’s raining
and players only love you when you play with’em.”